Quarta-feira, 15 de Setembro de 2010

A criança e os seus pares



A importância da socialização

É fundamental na vida de qualquer criança. A forma como se relaciona com os seus pares irá acompanhá-la vida fora e permitirá o desenvolvimento adequado das suas capacidades sociais. A socialização deve ser fomentada desde tenra idade e o crescimento social influenciará, de facto, a personalidade da criança.

A socialização pode ser definida como o processo de aprendizagem e interiorização de normas e valores, característicos de determinado meio social, do qual os indivíduos e os grupos são alvo, tendo assim como objectivo a integração do indivíduo na sociedade.
Estabelecendo relações com o grupo social que a rodeia, a criança torna-se um ser cultural. Assim, através do contacto com os outros, o ser humano adapta o seu comportamento às regras e aos valores implícitos no respectivo contexto social. A socialização não é um acto determinado no tempo mas, pelo contrário, um processo que decorre ao longo da vida de cada indivíduo.

Dois tipos de socialização

Primária - Processo através do qual a criança estabelece relações com os outros elementos da sociedade, tornando-se um membro participante e tendo como principal influência o agente social família. É um processo fundamental, pois é onde se cria a estrutura fundamental para toda a socialização do indivíduo. A família é o primeiro agente de socialização e também o mais importante, pois é na fase inicial da vida das crianças que estas assimilam com mais facilidade os valores que lhes são incutidos, isto porque nessa fase as suas relações baseiam-se nos afectos e, como tal, estão mais receptivas. No entanto, a família partilha cada vez mais a sua importância, como agente de socialização primária, com as creches, os infantários e as escolas, onde as crianças passam grande parte do seu tempo.

Secundária – Processo posterior à socialização primária, por meio do qual o indivíduo aprende novos papéis, contribuindo para a formação complexa da sua personalidade. Este processo pode ser superficial no sentido de não exigir profundas mudanças, mas, por outro lado, também pode comportar grandes alterações na sua personalidade.

A interacção com o que é exterior à criança é um factor bastante importante para o seu desenvolvimento, podendo ser considerado como um dos mais importantes para a sua progressão intelectual. Assim sendo, as relações que a criança estabelece são de grande relevância para o desenvolvimento das suas capacidades e competências, nomeadamente através de:
- Aprendizagem, através da qual são incutidos no indivíduo os valores, as regras sociais, consideradas correctas, e os modelos de comportamento do grupo a que o mesmo pertence;
- Imitação, que consiste na reprodução dos comportamentos observados sendo, assim, copiados;
- Identificação, que se processa quando um indivíduo se identifica com outra pessoa que desempenha determinados papéis considerados importantes. Essa identificação faz com que o indivíduo em causa adquira, progressivamente, esses mesmos comportamentos.

A integração dos seres humanos em grupos exige que assimilem novas regras e padrões para agirem de maneira correcta. Por isso, estes grupos são também considerados agentes de socialização. Actualmente, os agentes de socialização mais importantes são compostos pela família, pois tem um papel fundamental na formação das atitudes sociais e na transmissão de valores; a escola na medida em que “treina” as crianças com o objectivo de aprendizagem de habilidades particulares.
A capacidade que a criança tem de reconhecer e responder de forma adequada a outra criança está na génese das suas capacidades sociais, que lhe permitirão inserir-se em grupos e relacionar-se com os seus pares. A criança terá que aprender a conciliar as suas vontades e necessidades com as das outras crianças. Algumas terão maior facilidade em fazer amigos do que outras. O importante é desenvolver as suas capacidades de interacção social, pois uma criança com dificuldades em fazer amigos deparar-se-á com mais obstáculos para se integrar num grupo, podendo mesmo contribuir para o afastamento das outras crianças por não conseguirem “quebrar o gelo”. Durante a infância ter amigos é muito importante para a criança, contribuindo em grande parte para a construção da sua identidade, autonomia e auto-estima.
Estas capacidades sociais podem ser aprendidas e dependem em grande parte dos reforços dados pelos adultos que são significativos para a criança, uma vez que, no início, estes serão as suas referências. É importante que os adultos permitam e facilitem o contacto com outras crianças, que levem a sério as suas amizades, que lhes falem das suas próprias amizades e fomentem a comunicação, transmitindo valores.

Etapas de desenvolvimento social

- Até por volta dos 4 anos de idade, a criança atravessa uma etapa egocêntrica, em que considera como amigos aqueles que lhe estão mais próximos, sendo essa proximidade procurada para satisfazer as suas próprias necessidades, sem ter em conta as necessidades do outro.
- A partir dos 4 anos, a criança já procura os outros pela sua presença e qualidades sem, no entanto, se preocupar em prolongar essas amizades; pode fazer hoje um amigo no jardim e não se preocupar mais em voltar a vê-lo quando se for embora.
- Só a partir dos 6 / 7 anos de idade é que a criança se preocupa com a reciprocidade das suas amizades, querendo que o outro também manifeste a sua amizade por ela e procurando prolongar essa amizade no tempo.
- Por volta dos 9 anos, começam a desenvolver-se verdadeiros laços de amizade, começando a criar-se relações que poderão continuar a ser significativas na vida adulta; começa a ser possível a partilha de emoções e de preocupações.

A interacção com o que é exterior à criança é um factor bastante importante para o seu desenvolvimento, podendo ser considerado como um dos mais importantes para a sua progressão intelectual
A integração dos seres humanos em grupos exige que assimilem novas regras e padrões para agirem de maneira correcta
O importante é desenvolver as suas capacidades de interacção social, pois uma criança com dificuldades em fazer amigos deparar-se-á com mais obstáculos para se integrar num grupo
Durante a infância ter amigos é muito importante para a criança, contribuindo em grande parte para a construção da sua identidade, autonomia e auto-estima

(fonte: http://familia.sapo.pt )

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